quinta-feira, 26 de abril de 2007

SOU UMA MENINA QUE SONHA

           PEQUENA PRINCESA

Como gostava de ser princesa,
calçar sapatinhos de cristal
Viver num castelo com boa mesa,
e receber brinquedos p'lo Natal

Quero brincar agora, que sou menina
e de noite muito sonhar
Engano a fome desde pequenina,
vou levando a vida a trabalhar

Minha idade, é de brincar com bonecas
mas faço casaquinhos muito bonitos
Gostava de beber leite em lindas canecas
e não vender na rua alguns docitos

Não devia sentir a infância perdida,
e ao acordar, ser feliz com a alvorada
Sonhar com o sabor da boa vida,
e não ter a idade adulta penhorada

Adorava ter minha mãe sempre feliz
e comer com meus irmãos pão de centeio
Não passo de uma menina infeliz
cheia de vontade em fugir deste meio

Sou uma criança triste e já adulta
que sofre da ganância que leva ao caos
Queria comer bem, e aprender a ser culta,
não ser explorada por homens maus

Como gostava de brincar apanhada
e de porta em porta não vender soda
Precisava muito de ser amada
e de vestir roupinhas da moda

Era bom poder jogar à bola
e ir ver a praia e o mar
Não devia mais faltar à escola
e da fome, não voltar chorar

Sou filha de um operário Cristão
que finge, que a fome não rói
Sonho com arroz e um pedaço de pão
P'ra enganar meu estômago que dói

Trabalho p'ra miséria não me comer
até sonho com bicicletas de selim já gasto
Nelas vou pedalando a correr
fugindo desta sorte de mau repasto

Levanto-me ao troar das seis em ponto
para mais um dia de pobreza farta
Trabalho de manhã à noite, e já não conto
minhas lágrimas límpidas, cor de prata

Sou uma menina que sonha em ser ave
e voar para o mundo das princesas felizes
Poisar junto de gente, que não sabe
do triste canto das crianças infelizes
.


de: Fernando Ramos


Uma amiga me enviou por mail 




 



segunda-feira, 23 de abril de 2007

ONDJAKI

Divulgação Nas minhas leituras

estão sempre presentes

os autores africanos

 de expressão portuguesa

em especial os angolanos.

Nestes ultimos tempos

tenho lido muito Ondjaki.

Literatura africana deve
 ser lida com sotaki

é assim que "viajo".

Concordo com 

 minha mana xadi

quando diz que

Ondjaki é o Mia Couto angolano.

Com este livro acabadinho de sair

Ondajki leva-nos até

às ruas da nossa infância.

"Há espaços que são sempre nossos. E quem os habita, habita também em nós. Falamos da nossa rua, desse lugar que nos acompanha pela vida. A rua como espaço de descoberta, alegria, tristeza e amizade. Os da Minha Rua tem nas suas páginas tudo isso.
Como num filme, sempre me acontecia isso: eu olhava as coisas e imaginava uma música triste; depois quase conseguia ver os espaços vazios encherem-se de pessoas que fizeram parte da minha infância. De repente um jogo de futebol podia iniciar ali, a bola e tudo em câmara lenta, um dia eu vou a um médico porque eu devo ter esse problema de sempre ima
ginar as coisas em câmara lenta e ter vergonha de me dar uma vontade de lágrimas ali ao pé dos meus amigos.
A escola enchia-se de crianças e até de professores, pessoas que tinham sido da minha segunda classe, da terceira...
Quando alguém me tocava no ombro, as imagens todas desapareciam, o mundo ganhava cores reais, sons fortes e a poeira também."

Ondjaki

Obrigada Ondjaki