terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Sonho

Sonho

Pudesse eu um dia voltar à minha terra
ver os coqueiros e os cafezais em flor
ver as sanzalas transformadas em casas dignas
de homens que trabalham noite e dia


pudesse eu tornar a ver-te mãe
e abraçar-te e beijar-te até não mais
e ver finalmente os meus irmãos de cor
respeitados como eu sempre sonhei

pudesse eu ver as palmeiras da avenida
gingando ao vento e ao grande calor
e pisar essa terra agora nossa

pudesse eu daqui dizer-vos tudo
que sinto e que quero transmitir
pois mesmo longe estarei sempre ao vosso lado


Maria Olinda Beja
Bô Tendê?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

VENTO

Vento


és a casa dos pássaros.


és o não-chão. nem tremor nem homens nem calor. és o


aéreo que encandeia as nuvens e, num passo gémeo, as


conduz.


és sedução genuína nessa textura que usas no mar. os


pássaros te freqüentam erráticos porque também és o


eco da poesia — a estranha densidade de nada pisar



o não silencioso.


o silencioso.



és o deserto que chove sobre o mundo 


Esperar o vento...
Ondjaki