segunda-feira, 28 de março de 2011



Senti que rua não era um conjunto de casas, mas uma multidão de abraços, a minha rua, que sempre se chamou Fernão Mendes Pinto, nesse dia ficou espremida numa só palavra que quase me doía na boca se eu falasse com palavras de dizer: infância.



Ondjaki

sexta-feira, 25 de março de 2011

Catuiii


CATUITO”

Quanto tempo passou a entender-te?
Corpo muito pequeno e deliciosamente ágil
Com tuas penas curtas, castanhas e polidas.
Da minha varanda, só queria observar-te,
Saltavas de ramo em ramo, muito frágil
Com as tuas asas serenamente mantidas.

Quantas vezes me puz no teu lugar?
Imaginei que queria ser pássaro
E que podia fazer como tu, voar,
Sem ter necessidade de ser ávaro.

Segui o teu percurso, imaginando-me
Que, seria o melhor dos seres falantes.
Continuo a saltar, revezando-me
Entre ti e outros amantes.


Francisco da Renda

Obrigada amigo pelos teus escritos.









sábado, 12 de março de 2011

Casei-me com a poesia



Fui a um jardim
Com bonitas flores
De agradáveis odores
Escolher uma para mim
Para com ela me juntar
E amar

Escolhi uma rosa
E com ela tive uma prosa
Sobre meus planos de casamento
No momento,
A rosa disse não 
E seus espinhos feriram meu coração

Mais adiante
Escolhi um belo cravo
E falei-lhe de amor
Mas o cravo era altivo
E no mesmo instante
Sua resposta foi um dissabor

Depois
Escolhi uma orquídea bonita
E estando a sós os dois
Falei-lhe de mansinho
E com carinho
A orquídea disse-me que era tudo fita

Com mais flores
De agradáveis odores 
Falei de amor
E mais amargor
Recebi como resposta
Para meu desgosto e desfeita

Por último
Em um belo dia
Procurei e encontrei a poesia,
Falei-lhe íntimo
A poesia não complicou
A poesia aceitou

A poesia deu-me primazia
Namorei e casei com a poesia
Esqueci-me das flores
De agradáveis odores
Esqueci-me do jardim
E do seu caminho outrossim

Casei-me com a poesia
A que me deu primazia!

Décio Bettencourt
Escritor angolano
 

A língua
é o pão que fermento
os dias todos.
Com ela (re)invento,
meço outros ângulos
do sentimento.
(...)
Eis o que sou: ilha
ou corpo cercado
de gente
por todos os lados.

Poeta moçambicano

terça-feira, 8 de março de 2011

O garoto corria corria
não podia saber
da diferença entre as flores.
0 garoto corria corria
não podia saber
que na sua terra há
morangos doces e perfumados,
o garoto corria corria
fugia.
Ninguém lhe pegou ao colo
ninguém lhe parou a morte

Maria Alexandre Dáskalos