segunda-feira, 13 de outubro de 2008


Quando eu voltar,

que se alongue, sobre o mar,
o meu canto ao Creador!


Porque me deu, vida e amor,

para voltar...

Voltar...

Ver de novo baloiçar

a fronde magestosa das palmeiras

que as derradeiras horas do dia,

                           circundam de magia...
                              Regressar...

Poder de novo respirar,

(oh!... minha terra!...)

aquele odor escaldante

que o húmus vivificante

do teu solo encerra!

Embriagar

uma vez mais o olhar,

numa alegria selvagem,

com o tom da tua passagem,

que o sol,

a derdejar calor,

transforma num inferno de côr...



Sim! Eu hei-de voltar,

tenho de voltar,

não há nada que mo impeça.

Com que prazer

hei-de esquecer

toda esta luta insana...

que em frente está a terra angolana,

a prometer o mundo a quem regressa...



Ah! quando eu voltar...

Hão-de as acácias rubras,

a sangrar

numa verbena sem fim,

florir só para mim!...

E o sol esplendoroso e quente,

o sol ardente,

há-de gritar na apoteose do poente,

o meu prazer sem lei...

A minha alegria enorme de poder

enfim dizer:



Voltei!...



Alda Lara, 1948


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